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Mulher-Maravilha tem que enfrentar o fantasma do fracasso das super-heroínas no cinema

Filme tem tudo para ser um sucesso

Por Paulo Medeiros - 27/07/2016 08:33

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Quando o filme da super-heroína da DC Comics estrear, em 2017, vai encarar um cenário arrasado. Hollywood nunca se deu bem com supermulheres dos quadrinhos e a Mulher-Maravilha terá de quebrar essa escrita. É certo que tem sim tudo para isso, uma vez que as condições em que ela chega às telas são bem diferentes do passado. Mesmo assim, não é uma tarefa fácil.



Os estúdios têm uma certa aversão às super-heroínas, tanto é que longas-metragens mesmo, existem apenas três com elas até hoje: Supergirl (1984), Mulher-Gato (2004) e Elektra (2005). Ou seja, dá para contar nos dedos de uma mão. Esse número tem tudo para crescer, pelo menos um pouco, nos próximos anos. A Mulher-Maravilha vem aí e a Capitã Marvel também está confirmada para 2019. Se elas se derem bem nas bilheterias, certamente abrirão as portas para mais super-heroínas.

Mas a primeira batalha é da Mulher-Maravilha. Interpretada por Gal Gadot, a personagem fez sua estreia nas telas este ano em Batman v Superman e agradou em cheio. Sua participação foi uma das poucas unanimidades do filme e seu longa solo já estava programado antes mesmo do filme que juntou os dois heróis. Ou seja, a Warner/DC queria a Mulher-Maravilha de qualquer jeito, independentemente de seu desempenho e de sua recepção em BvS.

Quando a gente disse que ela chega em condições melhores do que as outras heroínas do passado, é verdade. Mulher-Maravilha tem produção caprichada, orçamento em torno de US$ 100 milhões e também se beneficia de fazer parte de um universo que junta outros heróis. Quer dizer, não é uma aventura isolada como aconteceu com Supergirl, Mulher-Gato e Elektra. A amazona vem inserida dentro de um mundo e de um plano maior, o que elimina qualquer risco de ela ser completamente esquecida se seu longa não der certo.



Fora isso, o público quer muito ver uma super-heroína num filme solo. E isso é algo que demorou demais para acontecer. Veja: os longas de heróis das HQs ganharam força a partir do início dos anos 2000 com Homem-Aranha e X-Men. De lá para cá já foram lançados mais de cinquenta filmes do gênero e apenas dois deles dedicados às mulheres e ainda de um jeito tosco. E é contra isso que a Mulher-Maravilha tem de lutar.

FRACASSOS
Os estúdios não são fãs de super-heroínas no cinema e isso acontece por causa dos fracos desempenhos nas bilheterias nos poucos exemplares que existem. E aí surge aquela velha teoria, a de que “o público fã de quadrinhos não gosta de filme protagonizado por heroínas”. Engano total. Os fãs gostam sim e têm muita vontade de vê-las no cinema. Acontece que isso tem de ser feito direito, e não de qualquer jeito como das últimas vezes.

Vamos ver os casos. Supergirl, de 1984, é o primeiro de uma heroína dos quadrinhos no cinema. A produção chegou no vácuo dos três primeiros longas do Superman e teve Helen Slater, bem famosa naquela década, interpretando a prima do Homem de Aço. Pena que tudo foi malfeito e sem nenhum cuidado. O orçamento foi de US$ 35 milhões, bem abaixo dos US$ 55 milhões investidos em cada um dos dois primeiros longas do Superman. Ou seja, a diferenciação já começa aí, certo? Por que colocar tão menos dinheiro no filme? A ideia também era que fosse o primeiro de vários, mas o fraco desempenho nas bilheterias não permitiu Supergirl arrecadou apenas US$ 14.296 milhões nos Estados Unidos. Megaprejuízo.



A Mulher-Gato, interpretada por Halle Berry, também foi outro equívoco gigantesco. O erro foi da Warner, o mesmo estúdio que hoje traz para o cinema o universo DC. A série de filmes do Batman estava enterrada desde 1997 e só voltaria à ativa em 2005, com Batman Begins. Nesse meio tempo, em 2004, surgiu essa tentativa de mexer um pouco em algo minimamente ligado ao Homem-Morcego. E rolou até um esforço para que a coisa desse certo. Primeiro que Halle foi contratada, uma atriz que havia ganhado o Oscar em 2002. Quer dizer, deve ter recebido uma bela grana. Fora isso, o orçamento de Mulher-Gato foi bem respeitável: US$ 100 milhões (o mesmo que Mulher-Maravilha). Tinha tudo para dar certo, menos um roteiro péssimo e uma caracterização patética da personagem principal. Tudo o que se viu na tela foi de uma ruindade ímpar, o que fez deste uma das piores adaptações de quadrinhos de todos os tempos. Se é que não é a pior. Com toda a grana investida, Mulher-Gato rendeu US$ 82.100 milhões e não se pagou.


Depois temos Elektra, que saiu em 2005, um ano após o fraquíssimo Demolidor: O Homem Sem Medo, sim, aquele mesmo com Ben Affleck no papel do herói da Marvel. A personagem apareceu no longa do Demolidor e foi interpretada por Jennifer Garner. Já no longa do herói, Elektra não foi aquelas coisas e estava bem diferente do que todo mundo a conhecia dos quadrinhos. Ainda assim, a Fox quis fazer o filme solo, que foi uma tragédia. Anunciada, diga-se de passagem. Em sua aventura própria, Elektra surgiu ainda mais descaracterizada e não lembrava em praticamente nada aquela ninja raivosa que os leitores gostavam. Aqui, uma vez mais, a história se repetiu: enquanto Demolidor teve US$ 78 milhões de orçamento, o longa da moça conseguiu juntar apenas US$ 43 milhões.



Apesar de todos estes fracassos, realmente não dá para acreditar que a Mulher-Maravilha seguirá pelo mesmo caminho. Como a gente falou, o público está mais do que maduro para uma aventura feminina nas telas e a produção está sendo bem cuidada. Diferentemente destes três longas, que foram feitos meio na base do “deixa que eu chuto” e por isso não funcionaram. Não dá para culpar um possível “o público não gosta de super-heroínas”, porque isso não passa de uma falácia. Há muito espaço para as mulheres e com os êxitos da amazona e da Capitã Marvel, é certo que outras virão. Não dá mais para parar.

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